sexta-feira, 12 de outubro de 2012

"Outro mundo"


Isto é do outro mundo!... 

Esta é uma das expressões usadas por amigos que por vezes convido a passar o fim de semana em Castelões.

O adjctivo é aplicado quando se referem à forma do velho casario e à relação de proximidade com o gado que vivia na mesma habitação.



É aplicado quando sabem da maneira como se partilhava o forno e certos trabalhos, por várias famílias e em verdadeiro espírito comunitário.


Quando a vista alcança horizontes de dezenas de quilómetros em todos os quadrantes.


Ou quando provam uma talisca de presunto com pão centeio e descobrem a diferença de paladares dos produtos da terra, comparativamente com aqueles que consomem habitualmente, adquiridos nas lojas das grandes superfícies, em que tudo é prematuro e sem sabor.







Quando veem com os seus próprios olhos o tamanho considerável daquele níscaro que o "Nibe" levava, para refogar com o coelho que o esperava em sua casa...



De volta à grande cidade, fica sempre a vontade do regresso ao, outro mundo, o mundo do paraíso transmontano que é Castelões.



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Terra de Guerreiros


O nome de Castelões, identifica-se como lugar de acantonamento e movimentações militares ao longo dos séculos, tendo daí originando a formação do povoado.

São inúmeros os testemunhos.

As pedras gravadas que recentemente foram descobertas nos Forninhos, conhecidas por Estelas, levam-nos à idade do Bronze fnal. (700-300 a.C.) Seriam pedras tumulares e nelas aparecem gravadas as armas dos guerreiros falecidos, como o escudo, a lança ou a espada.




O Outeiro dos Mouros ou as Casas, levam-nos às  Invasões Romanas da Península Ibérica. (218-201 a.C.) e à expulsão das tropas de Cartago. 




O Alto do Facho e o Castelo, transportam-nos para a época Medieval.



Numa parede da Associação está exposto um quadro com o extrato de um texto retirado dos arquivos da Torre do Tombo em Lisboa, em que se faz referência à existência de tropas em Castelões.


Nele podemos ler Castellãos, provavelmente o nome original e que ainda hoje aparece nas cartas militares, mapas e até no moderníssimo sistema GPS.
Podemos ler também, Condestável, titulo atribuído a D. Nuno Alvares Pereira (1360-1461)D. João I, Rei de Portugal. (1357-1433)


Guerreiros foram, guerreiros continuam...





terça-feira, 2 de outubro de 2012

Novo Bairro


Um dos sinais de modernidade na aldeia é visto logo à entrada da povoação, cheguemos nós pela estradas das capelas ou pelo lado de Calvão.

Foi no correr dessas estradas que a aldeia se alargou, na construção de modernas e funcionais moradias.

O mais recente acesso foi construído desde a zona das capelas, até à aldeia e foi por esse lado que a opção em construir se revelou mais apelativa.

A venda em lotes por parte da Junta de Freguesia, ajudou ao rápido povoamento do Outeiro do Seixo sendo hoje considerado e conhecido como Bairro...


A casa em pedra que se vê à esquerda, é a última construção antiga à saída da parte velha de Castelões.


Da Fonte Felgueira até até ao limite do Outeiro do Seixo tudo é construção nova.




Vista do bairro desde a Serangil.














Para finalizar fica uma panorâmica do novo bairro do Outeiro do Seixo vista do bairro do Pombal.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Recordações


Com a mudança dos tempos, que não se compadecem com costumes, gostos ou sentimentos, vão mudando as formas de vida, a utilidade das coisas, o aspeto dos núcleos urbanos e até a geografia do planeta.

Há muito que Castelões acompanha essas mudanças.

O abandono e ruína de grande parte das velhas casas no centro da aldeia, as demolições e reconstruções fora do traçado original, a deslocalização de novas construções para bairros limítrofes, a desertificação, as bem-feitorias ou  o aparecimento de novas ferramentas e equipamentos,   contribuem para a diferença da vida cotidiana, da visão paisagística bem como dos hábitos da terra e das gentes.

Dos meus arquivos, retirei  um conjunto de fotografias que dão testemunho da evolução e nostalgia dos tempos.
Aldeia vista do Montagudo nos anos 70.
Neste tempo não havia edição digital, estas fotos foram editadas  com o sistema, corta e cola...   
Vista a partir do Calvário.
 Casas antigas abandonadas e em ruínas.
Artéria virgem nos anos 70. Hoje já falta uma casa que foi demolida.
Parte superior da rua do Castelo nos anos 80. Conserva a mesma originalidade nos dias de hoje.
Aqui foi demolida a casa ao fundo, para abertura da travessa de S. Pedro, criando-se assim um novo acesso à igreja.
Novas construções e restauros.
 Acabaram as vacas e com elas o som do chiar de eixos dos carros...
Acabaram as malhadas. Grandes jornadas comunitárias e uma tradição ancestral em que o trabalho se misturava com a alegria. 



Imagem rara na actualidade. Os rebanhos e a lavagem no poço são cada vez menos frequentes.
Esta chaminé foi um ícone da aldeia. Dela, resta lá por casa alguma chapa amolgada e ferrugenta.
A par do futebol, as chegas com o boi da terra, levavam ao Montagudo muita gente.
É impossível formar uma equipa de futebol hoje, só com jogadores da terra.
Como é impossível praticar o jogo, com o velho campo da bola neste estado.
Até este castanheiro em Pedrete, perdeu a sua imponência ao ser queimado pelo fogo...

Sinais dos tempos modernos, com todos os seus prós e contras.